O advento do século XIX no Espírito Santo

Benita Carolina de Rezende¹

CARVALHO, Enaile Flauzina. Redes Mercantis: a participação do Espírito Santo no complexo econômico colonial de 1770-1821. Vitória: Secult, 2010. p.48-59.

 

No fim do século XVIII e início do XIX surge a expectativa de transformar mais lucrativa para Portugal, a Capitania do Espírito Santo.

No ano de 1800, Silva Pontes foi nomeado o primeiro governador do Espírito Santo. Sob as ordens da Coroa de desenvolvimento da capitania, o então governador desejou estimular a navegação direta com Portugal e a centralização das exportações da região no Porto de Vitória. Além da navegação direta com a Metrópole, esse projeto facilitaria a viagem feita pelos mercadores de Minas Gerais até o Rio de Janeiro.

No mesmo ano, um navio com destino a Lisboa, partiu de Vitória carregado de algumas amostras de madeira, botânicas e colheitas para confirmar “o bom estado do Porto de Vitória e sua lucratividade à Coroa, com a manutenção do comércio direto entre o Espírito Santo e a Metrópole” (CARVALHO, 2010. p.51).

O segundo governador foi nomeado em 1803, Manoel de Vieira da Silva de Albuquerque Tovar. Em sua administração foi criada a Junta Real da Fazenda e emancipada, da Bahia, a administração e o militarismo do Espírito Santo.

Tovar também “pediu a isenção de impostos, para os gêneros que se importavam ou exportavam da Capitania para a Metrópole. Promoveu também a cultura do anil e do café, além de evidenciar a capacidade exportadora de produtos como açúcar, algodão, farinha de mandioca, milho, arroz e aguardente (…)” (CARVALHO, 2010. p. 51).

Em junho de 1812, Francisco Alberto Rubim da Fonseca e Sá Pereira é nomeado o terceiro governador. Segundo relato do Bispo D. José em sua visita, neste mesmo ano, a capitania estava em estado de extrema miséria e pobreza. No entanto, com seu retorno em 1819, o Bispo aponta: “o reparo da capela do Colégio, (…); a conclusão da Igreja Matriz e de uma Capela no sítio da nova Aldeia de Viana, povoado fundado por Rubim em 1813, cuja população compunha-se de colonos Açorianos” (CARVALHO, 2010. p.53).

Rubim também incentivou a abertura de estradas para as terras mineiras, a lavoura, a mineração e os estudos para a ampliação da navegação dos rios da Capitania.

Apesar das muitas ostentações, a rota comercial Minas Gerais e Espírito Santo foi deixada de lado porque os comerciantes mineiros não encontraram mercado consumidor capixaba para seus produtos. Isto se deu, porque a Capitania capixaba tinha uma boa produção de gêneros de subsistência, além de excedentes para a comercialização, e a ineficiência do comércio direto com a Europa.

O terceiro governador foi considerado o mais trabalhador, mesmo tendo dificuldades nas conclusões dos projetos citados. Ele também empreendeu: “a construção da Casa da Misericórdia, casas, igrejas, os aterros da Conceição, do Pelame e do Porto dos Padres, (…) a reconstrução do Forte de São João e da Fortaleza de São Francisco Xavier; a conservação da disciplina dos corpos militares existentes e a criação de novas corporações de patentes. (…) propiciou o estabelecimento de imigrantes na Capitania, promovendo, para tanto, a colonização e a abertura de estradas” (CARVALHO, 2010. p.55).

Em 1820 foi criada a Alfândega provisória da Capitania espírito-santense, destinada à importação de gêneros nacionais e estrangeiros. No mesmo ano, Baltazar de Souza Botelho de Vasconcelos foi o quarto e último governador nomeado.

Este também se preocupou em descobrir e explorar novas fontes de riquezas, além de promover a colonização do interior do Espírito Santo. Sob autorização da coroa portuguesa, Baltazar ordenou que catequizasse e distribuísse por aldeias os índios Puris para colonizar o trecho das estradas para Minas Gerais.

Como Souza não tinha controle sobre as instituições militares e população, e o estado já estava ciente das ideias de independência do Brasil, o governador teve de enfrentar algumas revoltas.

“Em 29 de setembro de 1821, finda a política de nomeação dos governadores com a criação das Juntas Provisórias, ficando as províncias, a partir daí, sujeitas ao Governador Geral do Brasil” (CARVALHO, 2010. p. 57).

Em 1822, José Bonifácio de Andrade e Silva envia um Ofício solicitando o apoio do Espírito Santo com as pretensões de Independência do Brasil que é aceito e concordado.

Ignácio Accioli de Vasconcellos foi o primeiro Presidente da Província do Espírito Santo, eleito em 1823 após a independência do país. E no ano de 1829 é eleito o vice-presidente Francisco Pinto Homem de Azevedo.

Nota-se que no período de 1800 a 1821 os governadores se preocuparam em “redescobrir” o Brasil, através da exploração do território colonial português e do descobrimento de novas fontes de riquezas.

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¹Benita Carolina de Rezende é discente do 3º período de História do Centro Universitário São Camilo – ES e participa do Grupo de Estudo e Pesquisa “O Espírito Santo do Oitocentos”.

 

Fonte: Benita Carolina de Rezende
Comunicação e Informação: Leila Marinho.

 

2 opiniões sobre “O advento do século XIX no Espírito Santo”

  1. É muito bom ver textos como esse sendo feitos a partir de encontros do GEP, é um incentivo muito grande a todos nós que participamos, além de um reconhecimento aos professores e alunos participantes diante de toda dedicação.

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